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O triplo CD “É ou não é” reúne inéditos de Amália Rodrigues, que hoje, 23 de julho de 2018, completaria 98 anos, e inclui, entre outros “Lavadeiras de Caneças”, de Luiz da Silva, Xavier de Magalhães e Frederico de Freitas, que foi um êxito da revista “A Rambóia”, que subiu à cema em 1928, numa criação de Corina Freire (1886-1975). O triplo CD Amália. É ou Não É”, inclui inéditos da grande intérprete, do período de 1968 a 1975, numa edição coordenada por Frederico Santiago.

Frederico Santiago realçou à agência Lusa, que, nesta edição, "há bastantes inéditos", e destacou a canção “Ni la Sota ni el Caballo”, a versão em francês de “Havemos de Ir a Viana”, de Pedro Homem de Mello e Alain Oulman, e quatro cantigas de Arlindo de Carvalho (1930-2016), cita o Público.

"E depois, há todas as surpreendentes versões inéditas que foram preservadas", acrescentou Frederico Santiago.

Todo este material foi gravado nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, à excepção de quatro fados, em 1969, na segunda parte de uma atuação da fadista no Mosteiro dos Jerónimos, da qual já tinham sido editadas duas canções, com orquestra, no duplo CD “Amália Canta Portugal” (2016).

Nesta edição incluem-se “Havemos de Ir a Viana”, “Povo que Lavas no Rio”, “Formiga Bossa Nossa” e “Vou Dar de Beber à Dor”.

O terceiro CD inclui "numerosos ensaios em estúdio", entre os quais a canção "Eu tenho um Coração Novo", cuja letra pode atribuir-se, com algumas reservas, a Amália Rodrigues.

Esta edição inclui, disse Frederico Santiago, todo o repertório editado originalmente nos singles e EP, de 45 rotações, publicados entre 1968 e 1974, quando Amália gravou "a nata do repertório do 'fado alegre', como muitos hoje lhe chamam, com cantigas como ‘É ou Não É’, que dá título à edição, pois também neste domínio o seu repertório e o seu legado são inultrapassáveis".

"No 'fado alegre' Amália é imbatível", enfatizou Frederico Santiago.

A edição inclui textos de Frederico Santiago e de Nuno Gonçalo da Paula, autor do livro “Nóbrega e Sousa - Música no coração” (2010), e fotografias inéditas de Augusto Cabrita.

Frederico Santiago tem investigado a obra de Amália Rodrigues (1920-1999), contextualizando e catalogando o seu legado. O triplo CD “Amália. É ou Não É” - os 45 rpm (1968-1975) é a primeira edição, este ano, do projeto da edição aumentada e remasterizada, a partir das bobinas originais, da obra integral da artista, e revela interpretações surpreendentes.

Sob orientação de Frederico Santiago foram editados, sempre com inéditos, Amália no Chiado”, “Fado Português”, “Tivoli 62”, “Someday”, “Amália... Canta Portugal”, “Amália em Itália”, “Amália no Coliseu” e “Fados'67”, estas duas últimas edições distinguidas com uma Menção de Mérito do Prémio Manuel Simões-Melhor Álbum de Fado/2017.

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Teresinha Landeiro estreia-se em disco

por FMSimoes, em 21.07.18

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A fadista Teresinha Landeiro, de 22 anos, que começou a cantar aos 12, por mero acaso e sem qualquer tradição fadista na família, editou o seu primeiro álbum, “Namoro”, que é produzido pelo guitarrista Pedro de Castro.

A fadista afirmou que a sua opção, ainda tão jovem, pelo fado, se deveu ao facto de gostar de cantar em português e da temática dos poemas, maioritariamente interpretados no fado, aliando-se “à magia de ser cantado à noite”.

“Foi uma amiga da minha mãe que me despertou o interesse pelo fado e, aos 12 anos, como prenda de aniversário fui pela primeira vez a uma casa de fados, e a magia, pela sonoridade, foi imediata. E encantou-me de tal forma, que me despertou a vontade de querer ouvir e aprender mais”, disse a intérprete à agência Lusa, cita a imprensa.

Teresinha Landeiro é autora da maioria dos onze poemas que gravou no CD, aos quais juntou um tema que lhe ofereceram, “Lisboa Marcha Assim”, de Fernando Jorge Alves e António José Alves, e quatro temas do repertório fadista.

Referindo-se aos temas que recria, Teresinha Landeiro disse que “é sempre um desafio cantar, até porque vai haver sempre termos de comparação, mas tem de se andar para a frente”, e daí ter gravado, entre outros, “Raminhos de Violeta”, de Carlos Alberto França, “que cantava desde pequenina”, e que foi gravado por Hermínia Silva e Rodrigo.

Outros temas recriados são “Gota Abandonada”, de Maria de Lourdes de Carvalho e Martinho d’Assunção, que foi gravado, entre outras fadistas, por Maria Valejo e Maria Dilar, e ainda “O Riso que Me Deste”, de autoria e criação de Teresa Tarouca, que Teresinha Landeiro gravou no denominado “Fado Penha de França”, de Pedro Castro, um fado que Pedro Moutinho também recriou no seu álbum “O Amor não Pode Esperar” (2013), e, por último, a marcha “Noite de Santo António”, de Norberto de Araújo e Raul Ferrão, gravada por Amália Rodrigues, que Landeiro apontou como “a melhor voz, de sempre, de Portugal”.

Para a fadista aos temas recriados procurou dar o seu “cunho pessoal” e a sua “graça”, e se é “um desafio enorme” recriar temas que outros artistas já gravaram, “tem um gostinho especial” interpretar as suas próprias letras.

Sobre a sua faceta de autora afirmou: “Eu sempre gostei muito de escrever quadras simples, com rimas básicas, e quando senti o primeiro desgosto de amor, tentei expressá-lo de alguma maneira, refugiei-me na escrita e, no final de contas, quando comecei a olhar para eles, pensei que os podia cantar”.

Segundo a fadista, como muitas pessoas até a aconselhavam a não cantar certos fados, alegando que não eram para a sua jovem idade, optou pelas suas letras.

“Se eu cantasse os meus próprios poemas, ninguém poderia dizer que os não compreendia, e foi uma forma de me defender”, argumentou.

 

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O CD abre com “Sonhos Meus”, de sua autoria, que gravou na melodia do Fado Carlos da Maia de Sextilhas, e interpreta ainda com letras suas, “Amor aos Molhos”, com música de Pedro de Castro, “Teus Olhos nos Meus”, que gravou no fado Perseguição, de Carlos da Maia, “Dias Sempre Iguais”, que canta no Fado Bizarro, de Acácio Gomes da Silva, e “Santo António Traiçoeiro”, que gravou no denominado “Fado Fininho”, de Alfredo Mendes.

A fadista gravou também, no Fado S. Miguel, de Armandinho, “Naquele Dia”, em que juntou duas quadras de Fernando Pessoa, a uma estrofe sua.

Teresinha Landeiro considera que o “tempo foi essencial” para gravar este CD, “nomeadamente num género musical, em que é necessário um grande amadurecimento”, e daí ter esperado dez anos desde a sua estreia, para gravar o primeiro CD, acrescentando: “Ainda hoje ponho em dúvida se seria a melhor altura, se realmente estou preparada, debato-me sempre com questões e dúvidas, mas passei muitos anos a ouvir outros fadistas a cantar, e fui amadurecendo, foram dez anos de aprendizagem, ouvindo até outros estilos musicais para meu enriquecimento, e um dia poder vir a gravar um disco”.

“Não sei se estou totalmente preparada, mas olho para aquilo que fiz e acho que é um bom reflexo do meu trabalho e daquilo que eu gosto”, sentenciou.

Para o seu percurso qualificou como “muito importante a presença constante de Pedro de Castro”, guitarrista que a acompanha desde que começou a cantar e que admira como músico, guitarrista, fadista e como pessoa.

Além de Pedro de Castro, na guitarra portuguesa, a fadista é acompanhada por André Ramos, na viola, e Francisco Gaspar, na viola baixo.

Foto: DR

 

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