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O historiador Bernardo Sá-Nogueira edita em fevereiro o seu segundo álbum como fadista, no qual gravou dois poemas de sua autoria, e uma música inédita, de Vital d’Assunção, na qual interpreta um poema de Rui Manuel, “A Palavra Adeus”.

Intitulado “Lugares de Fado: Assunção”, o CD é constituído por treza poemas, tendo sido gravado nos estúdios Lagar da Música, com os músicos Sandro Costa, na guitarra portuguesa, e Vital d’Assunção, na viola, que assina a produção, e capa é assinada pela artista plástica Rita Oliveira Dias.

“Lugares de Fado: Assunção” é apresentado no dia 05 de fevereiro, na Tertúlia Pátio Marialva, em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, e sucede ao álbum de estreia de Bernardo Sá-Nogueira, “Lugares de Fado: S. Sebastião", editado em outubro de 2016.

Em declarações à Lusa, Bernardo Sá-Nogueira afirmou que canta há cinco anos. “Eu gravo fados [melodias] que canto. Deste CD, o único fado que não costumo cantar é ‘A Palavra Adeus’, de Rui Manuel, na melodia do Fado Decassílabo de Vital d’Assunção. Este é um fado que só o seu autor o conhece e pode tocar”, cita a TSF.

Quanto às escolhas, reconhece que a melodia é o seu ponto de partida. Mas as letras têm de lhe ser adequadas. O interesse pelas letras levou-o a escrever para duas melodias de que gosta, “O Lençol desta Paixão”, para o fado Perseguição, ou Carlos da Maia de sextilhas, e “Vida Curta Anda Depressa”, para o fado Puxavante, de Joaquim Campos.

O interesse em querer cantar o Fado Loucura, de Júlio de Sousa, mas “para o qual não havia letras adequadas a uma voz masculina”, levou-o a pesquisar e a encontrar “Esquece”, num conjunto de panfletos da década de 1940.

“Nesse panfleto, este poema está assinado por Júlio Guimarães, mas, ao pedir autorização para o gravar à Sociedade Portuguesa de Autores, este mesmo poema, com um título diferente, 'Esqueci-me de Ti', está registado em nome de João Guimarães. É um mistério, um de muitos do fado”, contou.

“Transporto para o fado a minha mania de investigador”, disse Sá-Nogueira, autor, entre outros, do livro “Tabelionado e Instrumento Público em Portugal. Génese e Implantação (1212-1279)”, publicado em 2008. Mas não o faz como investigador de fado: “Investigo para falar, para ter conversas, para me divertir à conversa com as pessoas”.

O que atrai o historiador no fado, segundo disse, "é a ligação do fado à cidade de Lisboa”, onde Sá-Nogueira nasceu há 59 anos.

“Não encontro nada em Lisboa que seja tão vinculado à cidade, que represente tanto aquilo que a cidade é, e a relação com o país, como o fado”, declarou.

Para o historiador, fadista e letrista, “o fado é uma espécie de unidade cultural que habita em Lisboa, pelo menos desde o século XIX, e que liga tanta gente de todo o lado, que entusiasma as pessoas de tal maneira, e as aferra à arte musical. É muito genuíno e toca muito cá dentro, é algo que se relaciona com os afetos das pessoas”.

“Gosto do fado porque me dá prazer cantar, conversar com as pessoas - há muita gente interessantíssima no fado - e também pela sua componente histórica”, afirmou.

O CD é uma homenagem aos músicos Martinho d’Assunção (1914-1992), de quem gravou “Cravo de S. João”, uma letra de Aníbal Nazaré, e ao seu neto, Vital d’Assunção, de quem gravou “A Palavra Adeus”.

Do alinhamento do disco fazem também parte, os fados Licas, Balada, dos Sonhos ou Modesto, com letras de António Vilar da Costa, Maria Manuel Cid, Frederico de Brito e Jorge Rosa, entre outros.

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Os Vikings em Portugal e na Galiza - CAPA FRENTE.j

 

O historiador Hélio Pires defende que a palavra “viking” não designa um povo, mas sim uma atividade, que se fez sentir, nomeadamente, nas costas portugueses entre os séculos VIII e XI.

Hélio Pires é autor da obra “Os Vikings em Portugal e na Galiza”, publicada pela Zéfiro, e, em declarações à agência Lusa, afirmou que não há vestígios materiais e são difusos os testemunhos da presença viking que se fez sentir nas costas portuguesas, cita DN.

“O termo viking é uma atividade e não um povo ou grupo étnico”, afirmou o historiador, segundo o qual a atividade viking “é pilhagem, navegação, colonização, comércio, e quem a praticava saltava de uma atividade para a outra, conforme lhe desse jeito ou o contexto o permitisse”.

“Podemos pensar na atividade viking como os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI. Era praticada por uma parte da sociedade, incluía alguns estrangeiros e, no sentido estrito da navegação, há um conjunto de atividades associadas, como a colonização, comércio, missionação, tal como os vikings”, que eram nórdicos e faziam navegações, com todas as atividades associadas, disse.

Dublin, a capital da República da Irlanda, é de fundação viking e começou por ser uma base de apoio às suas navegações, defendeu o investigador.

“Viking define uma atividade e não um grupo étnico”, e deu como exemplo as inscrições tumulares em que se lê que um indivíduo “morreu em viking na rota ocidental, por exemplo” ou que “foi em viking”.

O investigador referiu outras duas hipóteses: “Viking podia ser uma atividade sazonal ou até iniciática; quando um rapaz chegava a uma certa idade ia em viking, como rito de passagem para a maior idade, e ia pilhar ou comercializar conforme a estação”.

Referindo-se à temática viking, Hélio Pires afirmou que “há todo um conjunto de ideias feitas, de estereótipos, que perduram por falta de informação”, e que espera o seu livro venha a esclarecer.

Segundo Hélio Pires, as campanhas marítimas viking alcançaram Sevilha, no sul de Espanha, “tendo obrigatoriamente passado pelo Algarve”, mas foram sempre contactos fugazes e de pilhagem.

“Habitualmente abordavam a costa, pilhavam e seguiam a viagem. Há três casos em que a estadia foi mais prolongada, mais convivencial, mais comercial. Um na Galiza, entre os anos de 978 e 979, e outro, em que estiveram, na região entre os rios Douro e Ave, durante nove meses, em que capturaram pessoas, venderam-nas como escravos, e as pessoas tiveram de viver com eles à força e pagar resgate. E há um ainda mais curioso, um outro, em Santa Maria da Feira, em 1026, em que há notícia de um pagamento de resgate em géneros, e não em ouro ou prata, com intervenção de representantes do município”, conta o investigador.

O que “é mais difícil de saber é se estes casos correspondem a um padrão de comportamento ou se são mais esporádicos”, acrescentou.

A presença viking em território nacional despertou interesse pela primeira vez no século XVIII, quando Carvalho da Costa atribuiu origem viking ao topónimo Gondarém, freguesia de Vila Nova da Cerveira, no Minho, o que é “pouco provável”, segundo Hélio Pires, que afirmou “não ser muito preciso, pois antes dos vikings tocarem as costas portuguesas houve as invasões germânicas, no século V, e Gondarém é um dos antropónimos de origem germânica, que já existiam antes da chegada dos vikings”.

Todavia, aponta como possível origem viking para o topónimo Lordemão, em Coimbra, com base em fontes escritas ibéricas que referem “lordemanos”, mas “sem grandes certezas”, sendo “apenas uma hipótese” e “não nada de concreto”.

“Sendo de possível origem viking, a região de Lordemão pode ter sido uma base de ataque da qual ficou a memória, um conjunto de homens que andava em viking e foi capturado e enviado para aquela zona, como servos, para colonizar, como era comum, ou criminosos de crimes menores que estavam a fugir, ou pessoas que não tinham outro sítio onde se fixar”, disse.

Certezas tem o investigador que os vikings, como referem as crónicas medievais ibéricas, árabes e até uma crónica franca, atacaram e chegaram a certos pontos da costa portuguesa, como por exemplo a Nazaré.

Referindo-se ao livro, o investigador afirmou esperar que abra caminho a outras investigações e que “alguns arqueólogos comecem a olhar para certos vestígios com outros olhos e considerem a hipótese viking, que, à primeira vista, pode passar despercebida”.

Hélio Pires quer que a leitura de "Os Vikings em Portugal e na Galiza. As Incursões Nórdicas Medievais no Ocidente Ibérico", “familiarize um pouco mais os portugueses com o tema”, que tem pouca expressão na bibliografia nacional.

Hélio Pires, 37 anos, é doutorado em estudos medievais pela Universidade Nova de Lisboa, cuja tese está na base desta obra, tendo feito o mestrado em estudos viking e medievais, na Universidade de Uppsala, na Suécia. Este ano, o historiador conta publicar um ensaio sobre mitologia nórdica.

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