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ClaudiaPicado.JPGCláudia Picado vai participar, no primeiro trimestre de 2019, no projeto musical de fusão “Artist Cooperation – Portuguese Fado & Arabic Music”, liderado por Amer Nakhleh, diretor da Beit Almusica, uma organização musical árabe com sede em Israel.

O projeto “Artist Cooperation – Portuguese Fado & ArabicMusic” visa criar uma atmosfera musical de fusão, envolvendo o fado e as sonoridades árabes do Médio Oriente, “indo além dos limites da língua e das diferenças culturais”, segundo comunicado hoje divulgado.

O resultado desta parceria de Cláudia Picado com seis músicos palestinianos, que conta com a participação de José Duarte (guitarra portuguesa), concretiza-se na gravação de um disco, em agosto do próximo ano, a ser “editado em Israel e distribuído por diversos países”.

“Nascerá uma nova expressão artística no diálogo e mútuo entendimento musical e cultural entre Portugal e a comunidade palestiniana da cidade israelita de Shafa'amr”, onde se situa a Beit Almusica, uma organização sem fins lucrativos, “único conservatório de música árabe-palestiniana reconhecido em Israel”.

Neste projeto, Cláudia Picado conta gravar um poema de Mário Raínho, um dos poetas de fado mais gravados e distinguidos com vários prémios, entre os quais o Prémio Amália para Melhor Poeta, em 2006.

A Beit Almusica é uma organização não-governamental sem fins lucrativos criada em 1999 por um grupo de jovens artistas e músicos, em Shafa'amr, 113 quilómetros a norte de Telavive.

Segundo o seu ‘site’, esta organização visa “promover os direitos culturais da minoria palestina em Israel, enriquecer a sociedade através do desenvolvimento de ambientes musicais, abrir perspetivas para os artistas, e interagir musicalmente com outras culturas”.

Criar e reforçar estruturas e infraestruturas musicais profissionais, preservar e promover a cultura e o património da música árabe e oriental, desenvolver a cultura musical e aumentar a consciência da comunidade palestina sobre a apreciação musical, e capacitá-los a explorar uma variedade de géneros musicais, são objetivos da organização, assim como facilitar o acesso à educação musical profissional.

Devido a este projeto com os músicos árabes, “Cláudia Picado irá adiar o lançamento do seu novo disco de originais em Portugal, que conta com os poetas e músicos do panorama musical português com que mais se identifica, entre eles, Tozé Brito, Jorge Fernando, Guilherme Banza, Mário Rainho e Tiago Torres da Silva”.

Cláudia Picado canta há 18 anos, venceu vários concursos de fado, discograficamente estreou-se em 2004 com o álbum “Ausência”, no qual gravou repertório de Amália Rodrigues. No ano passado, a fadista foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural do concelho do Cadaval, de onde é natural.

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Fernando Rosas alerta para a “desculturalização do conhecimento”, promovida pelas novas tecnologias, e considera que “a substituição do Homem pela máquina só se resolve no quadro de uma sociedade socialista”.

O historiador, autor, entre outras obras, de "Portugal Século XX: Pensamento e Ação Política” (2004), faz estas declarações a encerrar o novo volume, a si dedicado, da série “Fio da Memória”, de autoria de José Jorge Letria, editada pela Guerra e Paz.

Esta série publica entrevistas a personalidades da cultura, contando com títulos dedicados à escritora Lídia Jorge, ao maestro Álvaro Cassuto, ao cineasta António-Pedro Vasconcelos, ao catedrático de filosofia Manuel Maria Carrilho, ou o ensaísta Eduardo Lourenço.

No último capítulo do novo volume, intitulado “Nas Minhas Velhas Convicções de Militante Socialista”, o historiador comenta que quando alguém quer saber quem foi Vladimir Lenine (1870-1924), político que liderou os sucessivos Governos russos desde o derrube da monarquia, em 1917, até 1924, resolve o problema de “telemóvel em punho”.

Rosas afirma que “há uma ‘desculturalização’ do conhecimento” e, noutro capítulo da obra, numa resposta a Letria, argumenta que “nada substitui o livro e o papel”, referindo que, no atual contexto, “há é uma desistência da leitura, da reflexão crítica e da controvérsia”.

O historiador Fernando Rosas, de 72 anos, é apontado pelo escritor José Jorge Letria como um exemplo de como o combate político se tornou “numa intensa e apaixonada carreira académica” na historiografia.

Licenciado em Direito, pela Universidade de Lisboa, Rosas “constitui um exemplo de como o combate político, que implicou detenções nas prisões da ditadura, mas também a experiência da clandestinidade, acabou por se converter numa intensa e apaixonada carreira académica que lhe permite falar da História como uma paixão e do pensamento político como uma porta aberta para o que há de vir e que ninguém sabe ao certo o que será e como irá ser”.

Nesta conversa, colocada em letra de forma, Fernando Rosas dá conta de como o seu avô materno, Filipe Mendes, um republicano, o influenciou, tendo-se tornado militante do Partido Comunista Português (PCP) aos 15 anos e, mais tarde, depois da Revolução de Abril, militante do MRPP e diretor do seu órgão oficial, o jornal Luta Popular, “num tempo turbulento e violento”, escreve Letria.

Sobre si, afirma Fernando Rosas: “Nasci com a política à mesa”. E recorda os brindes de natal, em que o avô finalizava com “Viva a República, viva a liberdade”, ou como a casa da sua tia Cândida Ventura, funcionava como apoio aos militantes clandestinos do PCP.

No texto sobre as suas “velhas convicções de militante socialista”, o autor regressa às teorias de Karl Marx, filósofo sobre qual nota assistir-se “uma pujança editorial” de trabalhos sobre o pensador.

Considerando “muito importante”, no contexto social atual, “a substituição do Homem pela máquina”, Rosa afirma que esta questão “só se resolve no quadro duma sociedade socialista, ou seja, só se resolve "no quadro da coletivização dos meios de produção", e quando se puder “planear os meios de produção para que o inevitável e necessário progresso da máquina traga ao Homem mais tempo de lazer e de bem-estar e não o desemprego e a miséria”.

Uma questão, argumenta, que “tem tudo a ver com o capitalismo e com a superação do capitalismo”.

“A coletivização tem de ter poder sobre os meios de produção, para que possa programar em seu proveito o progresso da técnica”, defende.

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