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O Festival Internacional de Música do Marvão (FIMM) abre na sexta-feira e, até dia 29, a programação tem previsto 40 concertos e uma “participação recorde de artistas portugueses”, segundo a organização. Nesta 5.ª edição do FIMM participam 300 músicos de 20 nacionalidades e são esperados "mais de seis mil visitantes".

Na sexta-feira, a Orquestra Estatal de Atenas abre o festival, em estreia nacional, dirigida por Christoph Poppen, sendo solistas a soprano Juliane Banse e a violinista Veronika Eberle, com um programa inteiramente preenchido por composições de Antonín Dvorák, designadamente o Concerto para violino, a “Canção da Lua”, da ópera “Rusalka” - interpretada em português -, e a Sinfonia n.º 8.

Aquando da apresentação do FIMM em Lisboa, o maestro Christoph Poppen, que assume a respetiva direção artística com a sua mulher, a soprano Juliane Banse, afirmou que "Marvão [no Alto Alentejo] é um cenário perfeito" para o festival, dada "a beleza da natureza, da arquitetura e o silêncio".

Os concertos distribuem-se por Marvão, Portalegre, Santo António das Areias, Galegos, Escusa, Quinta dos Olhos d’Água e pelo complexo arqueológico romano de Ammaia, além do vizinho município espanhol de Valência de Alcântara, onde atuam a Orquestra Estatal de Atenas, a Filarmonia das Beiras e o Coro Gulbenkian.

Este ano, o festival chega também, pela primeira vez, à vila próxima de Castelo de Vide.

Em declarações à agência Lusa, o assessor artístico do FIMM, Bernardo Mariano, realçou a “participação recorde de artistas portugueses, quase todos distinguidos no Prémio Jovens Músicos RTP/Antena 2, e que se apresentam a solo, em música de câmara ou com orquestra”.

“Uma ocasião muito especial no festival será uma dupla sessão na cisterna do Castelo de Marvão, com os quatro antigos elementos do lendário Hilliard Ensemble [1974-2014], que aceitaram voltar a reunir-se, excecionalmente, para esta participação no dia 28, ao final da noite, disse Bernardo Mariano.

Christoph Poppen gravou com os quatro antigos elementos do Hilliard Ensemble o CD "Morimur".

Outro destaque é a participação do maestro António Victorino d’Almeida, para acompanhar ao piano a cantora austríaca Erika Pluhar - com quem soma décadas em parceria -, no dia 24 de junho, no concelho vizinho de Castelo de Vide, na Fundação N.S. da Esperança.

 

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Tal como nas edições anteriores, da programação faz parte um concerto de fado, este ano com Rodrigo Costa Félix, que atua no dia 21 à noite na cisterna do castelo, acompanhado por Mário Pacheco, à guitarra portuguesa, José Quaresma, à viola, e João Penedo, no contrabaixo.

O Coro Gulbenkian apresenta o Requiem, de Mozart, acompanhado pela Orquestra de Câmara de Colónia, sendo solistas Carolina Ullrich (soprano), Roxana Constantinescu (contralto), Martin Mitterrutzner (tenor), Andreas Mattersberger (baixo), sob a direção de Poppen, no dia 26, na igreja do Convento de N.S. da Estrela, em Marvão.

Outro destaque é a participação do Officium Ensemble em dois programas: um de polifonia antiga, sob a direção de Pedro Teixeira, no Convento de N.S. da Estrela, em que, entre outras peças, interpreta a Missa Pro Defunctis, a oito vozes, de Duarte Lobo, e outro, acompanhando Orquestra do Festival e solistas, numa missa de Joseph Haydn, no dia 29, neste mesmo espaço religioso.

Da programação prevista consta a atuação do Trio Pangea, no dia 21, na igreja de S. Tiago, em Marvão, com um programa que contempla o Trio com piano em si menor, de José Vianna da Motta, compositor que nasceu há 150 anos, o Trio com piano, de Alexandre Delgado, e o Trio n.º 1, de Robert Schumann.

A programação também inclui conferências, iniciativas para crianças, encontros gastronómicos - um deles com o 'chef' alemão Thorsten Gillert, no dia 24, em que participa o Novus String Quartet.

Foto: DR

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As Canções Populares Húngaras e Russas, de Fernando Lopes-Graça, pelo pianista Nuno Vieira de Almeida, são editadas em disco, pela primeira vez, num alinhamento que inclui outras estreias do compositor.

As Dez Canções Populares Húngaras foram escutadas, em estreia absoluta, em março último, em Serpa, pelo pianista Nuno Vieira de Almeida e a meio-soprano Cátia Moreso, que também as gravou, no âmbito do Festival Terras Sem Sombra.

As Nove Canções Populares Russas, “totalmente desconhecidas”, cujo tempo de duração não foi determinado por Romeu Pinto Correia, especialista na obra de Lopes-Graça, foram gravadas pela soprano Susana Gaspar e pelo tenor Fernando Guimarães, um dos mais internacionais cantores portugueses atuais, que foi "L'Orfeo", de Monteverdi, na Ópera de Lausanne, em 2016, ano em que foi nomeado para um Grammy, também como protagonista de "Il ritorno d'Ulisse in Patria", com a Orquestra Boston Baroque.

Outra “estreia” do CD de Fernando Lopes-Graça são Quatro Cantos de Natal, de Gil Vivente, “descobertos por Conceição Correia, coordenadora da Casa Verdades Faria-Museu da Música Portuguesa”, no Monte Estoril, instituição à qual Lopes-Graça entregou o seu espólio.

O CD “Songs and Folk Songs”, de Fernando Lopes-Graça (1906-1994), editado internacionalmente pela Naxos, além das dez canções magiares, das nove russas e dos Cantos de Natal de Gil Vicente, inclui Quatro Cantos de Natal, de tradição popular portuguesa, dois "romances", de Armindo Rodrigues, três poemas de Adolfo Casais Monteiro e “As três canções de Olívia”, de Adriano Jardim.

Nuno Vieira de Almeida, em declarações à agência Lusa, afirmou que optou por "misturar" canções populares e canções originais, “para melhor se compreender o estilo do compositor", cita o Portugal Digotal.

A canções originais são “Música”, “Poemas das Mãos Tombadas” e “Marcha Triunfal”, a partir de poemas de Casais Monteiro, “Romance das Três Meninas no Laranjal” e “Romance dos sete Cavaleiros”, de Rodrigues, “As três canções de Olívia” (“Desalento”, "O Bordado” e “Distância”), e os Cantos de Gil Vicente, que “são das primeiras” que Lopes-Graça compôs e, desde então, “não terão voltado a ser interpretadas”.

O pianista, que conviveu com o compositor, afirmou que “há muitíssimo material [inédito] de Lopes-Graça”, e que há projetos com a Fundação D. Luís I, de Cascais, que coordena a programação do Bairro dos Museus da autarquia, para “continuar o trabalho”, pois “há muitas obras do compositor, nomeadamente para canto e piano, que é a parte maioritária da sua criação, que continua por estrear”.

A Fundação prevê continuar a promover a gravação de obras de Lopes-Graça, disse.

Referindo-se às Dez Canções Populares Húngaras, o pianista defendeu que a importância da sua gravação se junta à sua estreia em sala. A estreia aconteceu no passado dia 02 de março, no Centro Musiberia, em Serpa, que esgotou.

“É muito importante fazer as estreias de obras importantes do nosso património [musical] e que são desconhecidas”, disse Vieira de Almeida à Lusa, recordando que foi preciso esperar cerca de 65 anos para ouvir as Dez Canções Populares Húngaras, o que “é uma vergonha para o país”. Lopes-Graça deu por terminado em 1954 a harmonização das Dez Canções Populares Húngaras.

“Se foi bom ter estreado é também muito bom ter gravado”, enfatizou o pianista, referindo que “tal implica custos maiores, pelo que há muito mérito da Fundação D. Luís I, e uma gravação é algo que fica”. A gravação de todas as canções foi realizada no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, em julho do ano passado.

Referindo-se a projetos futuros, Nuno Vieira de Almeida disse que, de Fernando Lopes-Graça, há um ciclo de Canções Gregas, outro de canções da ex-Checoslováquia, “e muitas outras coisas, como canções francesas, inglesas, e nada disso está gravado". "A maior parte está inédita", assim como "muita produção que não é de canções populares”.

Para o músico, “o passo seguinte [às estreias e gravação das peças de Lopes-Graça] é a edição das partituras”.

Referindo-se à Canções Populares Húngaras, Vieira de Almeida salientou o respeito de Lopes-Graça pela linha melódica húngara, “que adaptou com harmonias que ele entendeu que faziam parte daquela linha melódica”.

Lopes-Graça teve “a genialidade de saber adaptar a sua linguagem [musical] ao tipo de linha melódica que tinha para harmonizar e para tratar”.

É admirável a capacidade de Lopes-Graça se imiscuir na linha melódica das canções e se ouvirmos, neste disco, as canções populares húngaras são totalmente diferentes das canções populares russas”.

“O que o solista canta é a linha popular, a grande maioria do trabalho composicional está na parte instrumental”, explicou.

Sobre esta gravação, Nuno Vieira de Almeida sublinhou a consultoria do “cantor favorito de Lopes-Graça”, o tenor Fernando Serafim, que “conhece as partituras". E como Lopes-Graça "sistematicamente modificava o que compunha, ao gravarmos devemos manter vivo tão próximo quanto possível, o espírito do compositor, e não o contrariar”.

Nuno Vieira de Almeida estudou com José Manuel Beirão e, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, com Leonid Brumberg, em Viena, e com Geoffrey Parsons, em Londres. Em Portugal, estreou obras de Schönberg, Webern, Wolf, Britten, entre outros compositores, além de ter promovido a primeira audição de obras de compositores portugueses como Carlos Caires, Constança Capdville, João Madureira e Paulo Brandão.

Cátia Moreso estudou no Conservatório nacional de Lisboa e na Guidhall Scholl of Music and Drama (GSMD), em Londres, e venceu vários concursos, nomeadamente o Aria Friends Bursay do Wexford Opera Festival.

Susana Gaspar estudou na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, e GSMD, e no National Opera Studio, de Londres, como bolseira da Royal Opera House.

Fernando Guimarães foi o vencedor do Prémio Jovens Músicos, em 2007, o mesmo ano em que que venceu o Concurso Internacional de Canto "L’Orfeo", e protagonizou pela primeira vez esta ópera de Monteverdi, em Mântua, Itália, no 400.º aniversário da estreia da obra.

Antonio Florio, Ottavio Dantone, Martin Gester, Alessandro de Marchi, Enrico Onofri, Skip Sempé, Florian Helgath e Leonardo García Alarcón, maestro associado da Orquestra Gulbenkian, a partir da próxima temporada, são alguns dos regentes com quem Guimarães tem trabalho na última década. Estreou-se nos palcos norte-americanos, como protagonista de "Il ritorno d'Ulisse in Patria", sob a direção do maestro Martin Pearlman.

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